Eletroposto dá lucro? A conta do que sobra no fim do mês
Resposta curta
Eletroposto dá lucro quando o faturamento do mês paga todos os custos do ponto e ainda sobra dinheiro. No exemplo ilustrativo da gente, um ponto em baixa tensão faturou R$ 8.412, gastou R$ 5.782 e ficou com R$ 2.630, margem de 31%.
Atualizado em 7 min de leituraEquipe Velquia
A resposta pesa em decisões do dia a dia: subir ou baixar o preço do kWh, renegociar o aluguel do local, comprar mais um carregador. Para tomar qualquer uma delas, você precisa saber quanto fica no mês, e essa conta junta números que chegam de lugares diferentes.
A gente abre, linha por linha, o mês de um ponto de exemplo, em baixa tensão (grupo B) e sem demanda contratada: os sete custos que saem do faturamento, a tabela do mês e o efeito de mexer 10% no uso, no preço do kWh e no custo da energia. No fim, um roteiro para fechar essa conta todo mês.
Faturar muito garante lucro?
Não garante. Faturamento é o que os motoristas pagaram pelas recargas do mês. Lucro é o que fica depois que você paga cada custo. Dois pontos que faturam os mesmos R$ 8.412 terminam o mês com sobras diferentes se um paga aluguel fixo e o outro divide o faturamento com o dono do espaço.
O extrato da plataforma de recarga traz o faturamento. O lucro pede as contas que ficam fora dela: a conta de luz, o imposto, o aluguel e o resto.
Quais custos saem do faturamento de um eletroposto?
Sete custos entram na conta do mês.
- Energia. A conta de luz, em reais, lançada no mês de consumo a que ela pertence.
- Demanda contratada. Entra só para quem a distribuidora enquadra no grupo A e se paga até no mês fraco (REN 1.000/2021, art. 294); a conta está em demanda contratada de eletroposto.
- Impostos. ICMS, que é estadual, ou ISS, que é municipal. SP e PR responderam consultas sobre a recarga, SC adotou o regime do convênio do Confaz, e outro estado pode ter regra própria: veja Eletroposto paga ICMS ou ISS? e confirme com o seu contador.
- Aluguel do local. Pode ser valor fixo ou parte do faturamento; o contrato com o dono do espaço diz qual.
- Taxa do meio de pagamento. O que o cartão desconta de cada recarga paga.
- Manutenção. Limpeza, cabos, conectores e a visita técnica quando um carregador para.
- Software. O sistema que acompanha o ponto e fecha as contas.
Exemplo ilustrativo: de R$ 8.412 de faturamento a R$ 2.630 de sobra
A tabela mostra um mês do ponto de exemplo, em baixa tensão e sem demanda contratada. Todos os valores são ilustrativos. A gente juntou manutenção, meio de pagamento e software numa linha só, "Manutenção e outros".
| Linha do mês | Valor (R$) | Parte do faturamento |
|---|---|---|
| Faturamento | 8.412 | 100% |
| Energia (conta de luz) | 3.480 | 41% |
| Crédito de energia solar | -620 | -7% |
| Aluguel do local | 1.262 | 15% |
| Impostos | 1.010 | 12% |
| Manutenção e outros | 650 | 8% |
| Custos, soma das cinco linhas | 5.782 | 69% |
| Sobrou | 2.630 | 31% |
A conta fecha assim: R$ 8.412 menos R$ 5.782 de custos dão R$ 2.630. R$ 2.630 divididos por R$ 8.412 dão 0,31, ou 31% de margem. De cada R$ 100 faturados, cerca de R$ 69 pagam custos e R$ 31 ficam.
O crédito de energia solar reduz a conta de luz de quem gera a própria energia, por isso entra negativo. Sem ele, os custos subiriam para R$ 6.402 e a sobra cairia para R$ 2.010, margem de 24%.
Se o seu ponto está no grupo A, acrescente a demanda contratada como uma linha própria.
Eletroposto é rentável? O que mais mexe na sobra do exemplo
A gente mexeu 10% em cada variável do exemplo, uma de cada vez. As premissas: como o ponto fica no grupo B, a conta de luz e o imposto acompanham o faturamento quando ele muda pelo uso; quando muda o preço, só o imposto acompanha; aluguel, manutenção e crédito solar ficam iguais. Os valores estão arredondados ao real, e todos são ilustrativos.
| Mudança no exemplo | Faturamento (R$) | Custos (R$) | Sobra (R$) | Margem |
|---|---|---|---|---|
| Exemplo base | 8.412 | 5.782 | 2.630 | 31% |
| Uso 10% maior | 9.253 | 6.231 | 3.022 | 33% |
| Uso 10% menor | 7.571 | 5.333 | 2.238 | 30% |
| Preço do kWh 10% maior | 9.253 | 5.883 | 3.370 | 36% |
| Preço do kWh 10% menor | 7.571 | 5.681 | 1.890 | 25% |
| Energia 10% mais cara | 8.412 | 6.130 | 2.282 | 27% |
| Energia 10% mais barata | 8.412 | 5.434 | 2.978 | 35% |
Neste exemplo, o preço do kWh pesa mais: 10% a mais ou a menos mudam R$ 740 na sobra. O uso mexe R$ 392, e o custo da energia, R$ 348.
A diferença está no destino de cada R$ 100 a mais. Quando o faturamento sobe pelo uso, a energia leva R$ 41 e o imposto R$ 12, e ficam cerca de R$ 47. Quando sobe pelo preço, a energia comprada não muda: só o imposto leva R$ 12, e ficam cerca de R$ 88.
No grupo A, a tabela fica otimista. Pela nossa conta, a demanda contratada se paga igual quando o uso cai, e a sobra encolhe mais do que a linha "Uso 10% menor" mostra.
Preço maior sem perder motorista é premissa do exemplo. No ponto real, um preço alto pode afastar quem carrega. A REN 1.000/2021 da ANEEL deixa livre o preço da recarga de veículos de terceiros (art. 554), e o que essa regra permite está em como funciona um eletroposto. Para medir o efeito, mude o preço num mês e compare o uso do mês seguinte.
Como acompanhar o lucro do eletroposto todo mês
- Pegue o faturamento do mês no extrato da plataforma de recarga.
- Lance a conta de luz no mês de consumo a que ela pertence, e não no mês em que você pagou. No grupo A, ela já traz a demanda.
- Peça ao contador o imposto do mês.
- Some aluguel, meio de pagamento, manutenção e software.
- Subtraia tudo do faturamento para ter a sobra, e divida a sobra pelo faturamento para ter a margem.
- Compare com o mês anterior e veja qual das três variáveis mexeu: uso, preço ou custo da energia.
Fechar essa conta todo mês na planilha toma tempo. A Velquia monta uma plataforma de gestão com as regras da sua operação, ligada à plataforma de recarga que você já usa. Nela, a fatura de energia que você lança entra no lugar da estimativa, o crédito solar sai do custo e o mês fica marcado como pendente enquanto a conta de luz não chega. Veja a plataforma de gestão.
Com a sobra do mês na mão, dá para saber em quanto tempo o ponto devolve o investimento: a conta está em payback de eletroposto.
Perguntas frequentes
Eletroposto dá lucro?
Dá quando o faturamento do mês cobre todos os custos do ponto e ainda sobra. Um ponto de exemplo ilustrativo que fatura R$ 8.412 e gasta R$ 5.782 fica com R$ 2.630, margem de 31%. O resultado do seu ponto só aparece com os números do seu mês.
Quanto lucra um eletroposto por mês?
A gente não publica média, porque ela esconde a diferença entre um ponto e outro. O lucro mensal sai de três números: kWh entregues, preço do kWh e custo da energia. Num ponto de exemplo ilustrativo com R$ 2.630 de sobra, 10% no preço mudam a sobra em R$ 740; no uso, em R$ 392; na energia, em R$ 348.
Qual a diferença entre faturamento e lucro de um eletroposto?
Faturamento é o que os motoristas pagaram pelas recargas do mês. Lucro é o que fica depois de pagar energia, imposto, aluguel, meio de pagamento, manutenção, software e, no grupo A, a demanda contratada. A plataforma de recarga mostra o primeiro; o segundo pede a conta de luz e os outros custos.
Eletroposto é rentável?
A rentabilidade tem duas medidas. A margem divide a sobra pelo faturamento: num exemplo ilustrativo, R$ 2.630 de sobra sobre R$ 8.412 de faturamento dão 31%. O retorno divide o investimento pela sobra mensal e diz em quantos meses o dinheiro volta; a conta passo a passo fica no guia de payback de eletroposto.
Quais custos tiram o lucro de um eletroposto?
Num ponto de exemplo ilustrativo que fatura R$ 8.412 por mês, a maior linha é a conta de luz, com R$ 3.480, ou 41% do faturamento. Depois vêm aluguel do local, imposto, taxa do meio de pagamento, manutenção e software, e, para quem está no grupo A, a demanda contratada.
Fontes
Consultadas em 19/10/2026.
- ANEEL, REN 1.000/2021, arts. 294 e 554, na redação consultada em outubro de 2026.