Como funciona um eletroposto: da recarga ao dinheiro, para quem opera

Resposta curta

Um eletroposto cobra pela recarga de carros elétricos: o carregador entrega a energia e mede os kWh, e a plataforma de recarga cobra o motorista. A recarga é em AC (mais lenta) ou DC (rápida). Pela REN 1.000/2021, da ANEEL, a recarga de carros de terceiros pode ser cobrada a preços livremente negociados.

Atualizado em 8 min de leituraEquipe Velquia

Quem vai operar um ponto, o próprio ou o de outra pessoa, precisa conhecer cada etapa da recarga antes de comprar o primeiro carregador. Cada etapa tem um custo ou um contrato por trás, e é nelas que um ponto com bom faturamento perde a sobra do mês.

Na norma, o equipamento se chama estação de recarga. A ANEEL a define como um "conjunto de softwares e equipamentos utilizados para o fornecimento de corrente alternada ou contínua ao veículo elétrico", com funções de controle e de comunicação, instalado fora do veículo (REN 1.000/2021, art. 2º, XV). Neste blog, eletroposto é o local com uma ou mais estações.

Você vê as seis etapas de uma recarga, do plugue ao repasse, o que AC e DC mudam para o operador, quem pode cobrar e a que preço, as peças de uma operação e a conta que separa um ponto que dá lucro de um que só fatura.

O que acontece numa recarga, do plugue ao dinheiro

São seis etapas, na ordem em que acontecem. Da segunda à sexta, o desenho muda com a plataforma de recarga e com o contrato; a lista mostra o caso comum.

  1. Conexão. O motorista liga o carro ao carregador. A potência da sessão é a menor entre a que o carregador entrega e a que o carro aceita.
  2. Autorização. O carregador avisa o sistema de que alguém quer recarregar, e a plataforma de recarga identifica o motorista e libera a sessão.
  3. Comunicação. Durante a sessão, o carregador conta ao sistema o que está acontecendo. Para o carregador que não fica restrito ao uso privado, a REN 1.000/2021 (art. 552) pede protocolo aberto, sem dizer qual; o OCPP, mantido pela Open Charge Alliance, é um protocolo aberto entre carregador e sistema de gestão, e a gente explica em o que é OCPP.
  4. Medição. O carregador mede os kWh entregues, e a cobrança por kWh sai desse número. Num relatório preliminar de maio de 2025, o Inmetro estuda essa medição como base da transação entre operador e motorista e aponta a falta de garantia metrológica como o problema a regular.
  5. Cobrança. O sistema calcula o valor da sessão pelo preço que o operador definiu e cobra o motorista no meio de pagamento do ponto.
  6. Repasse. O dinheiro passa pelo meio de pagamento e pela plataforma de recarga antes de chegar à conta do dono. O prazo e a forma desse repasse estão no contrato com a plataforma: leia essa cláusula antes de assinar.

A plataforma de recarga mostra o faturamento dessas sessões. O lucro depende de custos que não passam por ela, como a conta de energia.

AC e DC: o que muda para o operador

A energia chega ao carro em corrente alternada (AC) ou contínua (DC). Segundo o Inmetro, em análise de impacto regulatório de abril de 2024, a entrada em AC recebe menos potência e é mais lenta; a entrada em DC suporta carga rápida e maior potência.

Característica AC, recarga lenta DC, recarga rápida
Conector com grande predomínio no Brasil (Inmetro, abril de 2024) Tipo 2: de 3,7 kW a 22 kW em rede trifásica (400 V, 32 A) CCS2, o Tipo 2 com dois pinos grandes: até 350 kW
Tempo para repor 40 kWh, em exemplo ilustrativo e sem perdas 5,4 horas em 7,4 kW 40 minutos em 60 kW, se o carro aceitar essa potência

O Inmetro registrou, em abril de 2024, que o Brasil não tem padrão nacional oficial de conector. Com potências tão distantes, a escolha entre AC e DC muda o tempo de cada sessão e, por isso, quantas sessões cabem num dia. A ABVE contou, em agosto de 2026, 29.866 pontos de recarga entre públicos e semipúblicos, com 61,8% em AC e 38,2% em DC; o resto dos números está em Eletropostos no Brasil.

Na hora de comprar o equipamento, a comparação por local e por tempo de parada está em carregador AC ou DC.

Quem pode cobrar pela recarga, e a que preço

Pela REN 1.000/2021, da ANEEL, na redação consultada em outubro de 2026, quem tem a estação pode recarregar carros que não são do titular da unidade consumidora, "inclusive para fins de exploração comercial a preços livremente negociados" (art. 554). O preço é seu: no texto que consultamos, os arts. 550 a 560 não trazem tarifa para quem cobra recarga de terceiros, e a única referência a preço, nos arts. 554 e 559, é "livremente negociados".

O art. 555 traz um limite. O carro elétrico não pode injetar energia na rede de distribuição nem entrar no sistema de compensação de micro e minigeração; a vedação não alcança a energia que vai e volta dentro da própria unidade consumidora, o fluxo bidirecional.

Em alguns casos, a distribuidora tem de saber da instalação antes (art. 550), e o post eletroposto em casa lista quais. Cobrar recarga traz ainda nota fiscal e imposto: SP e PR já responderam a consultas sobre isso, outro estado pode ter regra própria, e o resumo está em Eletroposto paga ICMS ou ISS?. Confirme com o seu contador.

As peças de uma operação

Peça O que faz O que o dono precisa saber
Energia Abastece o ponto pela distribuidora O grupo tarifário e, no grupo A, a demanda contratada
Carregador Entrega a energia ao carro AC ou DC, potência, conector e protocolo aberto
Plataforma de recarga Liga o carregador, identifica o motorista e cobra O contrato e o prazo do repasse
Gestão Junta os custos ao faturamento e aponta o próximo passo Lucro do mês, quem voltou e qual conector parou

Energia. A distribuidora fornece a energia e define o grupo do ponto. Acima de 75 kW de carga instalada, o ponto vai, em regra, para o grupo A, com contrato de demanda (REN 1.000/2021, art. 23, I); o post demanda contratada: como calcular mostra a conta.

Gestão. É a camada que fecha o mês: lucro com cada custo aberto, quem são os motoristas e quem sumiu, qual conector ficou fora do ar e o próximo passo de cada alerta. A Velquia monta essa camada com as regras de cada operação e a conecta na plataforma de recarga que o cliente já usa. Conheça a plataforma.

O que separa um ponto que dá lucro de um que só fatura

Faturamento é o dinheiro que entra. Lucro é o que sobra depois da energia, da demanda contratada (no grupo A), do imposto, do aluguel do local, do meio de pagamento, da manutenção e do software.

Exemplo ilustrativo No mês
Faturamento R$ 8.412
Custos R$ 5.782
Sobrou R$ 2.630
Margem 31%

Uso do ponto, preço do kWh e custo da energia são as três contas para começar, e a conta completa está em Eletroposto dá lucro?. O faturamento aparece na plataforma de recarga; os custos chegam em contas separadas, e quem não soma tudo enxerga um lucro maior do que o real.

Para ver o seu ponto nessa conta, converse com a gente com a conta de energia e o relatório da plataforma de recarga em mãos.

Perguntas frequentes

O que é um eletroposto?

É o local com uma ou mais estações de recarga de carro elétrico. A ANEEL define estação de recarga como o conjunto de softwares e equipamentos que fornece corrente alternada ou contínua ao veículo elétrico, com funções de controle e de comunicação, instalado fora dele (REN 1.000/2021, art. 2º, XV).

Quanto tempo leva uma recarga?

O tempo é a energia a repor na bateria, em kWh, dividida pela potência efetiva do ponto, em kW. A potência efetiva é a menor entre a do carregador e a que o carro aceita. Exemplo ilustrativo: 40 kWh num ponto de 7,4 kW pedem 5,4 horas sem perdas e perto de 6,4 horas se 16% se perderem no caminho, ordem de grandeza que o Departamento de Energia dos EUA citou em 2018. A perda varia com o carro, o carregador, o estado da bateria e o clima.

Que conector os eletropostos usam no Brasil?

O Brasil não tem padrão nacional oficial de conector, mas o Inmetro registrou, em abril de 2024, grande predomínio do Tipo 2 e do CCS2. O Tipo 2 serve à recarga em corrente alternada, de 3,7 kW a 22 kW em rede trifásica; o CCS2 é o Tipo 2 com dois pinos grandes e aceita recarga de até 350 kW. Um eletroposto pode ter mais de um tipo de conector.

Fontes

Consultadas em 19/10/2026.

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