Carregador rápido DC ou AC de 22 kW: qual escolher no eletroposto

Resposta curta

No AC, o carregador de bordo do carro converte a corrente alternada em contínua e limita a potência. No DC, a conversão fica no próprio equipamento, que opera com 50, 120, 180 ou até 350 kW, segundo a ABVE. A entidade põe o AC no uso cotidiano: condomínios, escritórios, frotas e estacionamentos de longa permanência.

Atualizado em 9 min de leituraEquipe Velquia

Na compra do carregador, a escolha entre AC e DC pesa em quantos carros o ponto atende por dia e na carga instalada da ligação. A distribuidora define o grupo pela carga instalada, e no grupo A a conta de energia passa a cobrar demanda.

A gente mostra em que peça a corrente muda de forma, compara os dois tipos numa tabela, explica por que um AC de 22 kW não carrega todo carro a 22 kW, liga o local ao tempo que o motorista fica parado e fecha com as perguntas para o fornecedor. Preço de equipamento fica de fora: peça orçamento dos dois tipos.

Onde a corrente vira contínua: no carro ou no carregador

A rede entrega corrente alternada, a bateria do carro carrega com corrente contínua, e alguma peça precisa converter uma na outra. O Departamento de Energia dos EUA descreve o carregador de bordo como a peça que recebe a energia AC pela porta de carga, converte em DC para a bateria de tração e conversa com o equipamento de recarga.

Segundo a ABVE, em explicador de julho de 2026, na recarga em AC quem faz a conversão é esse carregador embarcado (OBC). Na recarga em DC, a conversão acontece no equipamento de recarga, que dispensa o OBC. Com a conversão fora do carro, o DC trabalha com potências como 50, 120, 180 ou até 350 kW, conforme a infraestrutura e a compatibilidade do veículo. O Inmetro, em abril de 2024, registrava a entrada AC como a de menor potência e a DC como a de carga rápida.

AC e DC lado a lado

AC DC
Quem converte a corrente O carregador de bordo do carro O próprio equipamento
Potência citada Tipo 2: de 3,7 a 22 kW em rede trifásica, menos em monofásica (Inmetro, 2024) 50, 120, 180 ou até 350 kW (ABVE, 2026)
Conector predominante no Brasil (Inmetro, 2024) Tipo 2 CCS2, que soma dois pinos grandes ao Tipo 2
Modo de recarga (IN 23 dos Bombeiros de SC) Modo 3, para recarga diária em residência ou local público Modo 4, para alta potência em estação pública rápida
Repor 40 kWh, exemplo ilustrativo sem perdas 3,6 horas a 11 kW 40 minutos a 60 kW, se o carro aceitar
Pontos públicos e semipúblicos (ABVE, agosto de 2026) 18.469 (61,8%) 11.397 (38,2%)

Segundo a ABVE, o DC cresceu 195,6% nos 12 meses até agosto de 2026, e o AC, 41,8%.

Por que o AC de 22 kW não carrega todo carro a 22 kW

Segundo a ABVE, a velocidade da recarga em AC depende da potência disponível na estação, da capacidade do carregador de bordo e das características da bateria, e por isso o tempo varia de modelo para modelo. Na nossa conta, a sessão anda na menor potência entre a do carregador e a que o carro aceita em AC.

A rede também pesa: o Inmetro descreve os 22 kW do Tipo 2 em rede trifásica de 400 V e 32 A; em rede monofásica, o carro carrega com menos potência.

O carro aceita em AC Potência da sessão num AC de 22 kW Repor 40 kWh, sem perdas
7 kW 7 kW 5,7 horas
11 kW 11 kW 3,6 horas
22 kW 22 kW 1,8 hora

Os 40 kWh e os valores de aceitação são de exemplo ilustrativo. Antes de comprar um AC de 22 kW, descubra quanto aceitam em AC os carros que param no seu local: num carro que aceita 7 kW, o equipamento entrega 7 kW.

Que local pede AC e que local pede DC

Comece pelo tempo que o motorista passa parado. Segundo a ABVE, em setembro de 2026, o AC é a infraestrutura de uso cotidiano em condomínios residenciais e comerciais, escritórios, estacionamentos de longa permanência e frotas. Em oito horas de garagem, um AC de 7,4 kW entrega até 59 kWh (exemplo ilustrativo), mais que os 40 kWh da tabela.

Na nossa leitura, o DC serve onde a parada é curta e a recarga precisa caber nela. A potência dele muda a conta (exemplo ilustrativo, 40 kWh, sem perdas, com o carro aceitando a potência toda):

Carregador DC Tempo para repor 40 kWh
30 kW 1 hora e 20 minutos
60 kW 40 minutos
120 kW 20 minutos

A conta é teórica: pelo Departamento de Energia dos EUA, o tempo real muda com o estado de carga e a capacidade da bateria, o carregador interno do carro e a potência do equipamento.

Cuidado com "rápido" e "lento". A IEA classifica por potência, sem olhar a corrente: lento até 22 kW, rápido acima de 22 kW até 150 kW, ultrarrápido de 150 kW em diante. É régua internacional, e a gente não achou definição oficial brasileira em kW.

O que a potência faz com a conta de energia

Pelo art. 23 da REN 1.000/2021, da ANEEL, na redação consultada em outubro de 2026, carga instalada acima de 75 kW leva a ligação ao grupo A, com demanda contratada (a conta completa). Na nossa leitura, quatro AC de 22 kW (88 kW) passam do limite, assim como um DC de 60 kW somado a um AC de 22 kW (82 kW). Quem confirma o enquadramento é a distribuidora, que precisa de aviso antes do aumento de carga (quando o aviso vale).

Limitar a potência somada dos carregadores segura o pico; pergunte se o carregador e a plataforma fazem isso pelo protocolo de comunicação (OCPP), assunto de o que é OCPP. O equipamento entra no investimento: com os orçamentos dos dois tipos na mão, refaça o payback de eletroposto.

O que perguntar ao fornecedor antes de comprar

  1. Potência por conector. Quanto cada conector entrega sozinho e quanto entrega com dois carros ligados ao mesmo tempo.
  2. Rede do ponto. Em que tensão e com quantas fases o equipamento chega à potência de placa.
  3. Conector. Tipo 2 no AC e CCS2 no DC: em 2024, o Inmetro registrou predomínio dos dois no Brasil, sem padrão nacional oficial definido.
  4. Protocolo aberto. A REN 1.000 pede protocolo aberto para equipamento que não seja de uso exclusivo privado (art. 552). Pergunte qual e em que versão.
  5. Normas. A lista das normas da ABNT que o equipamento atende, com a edição; confira no catálogo da ABNT. A IN 23 dos Bombeiros de SC, vigente a partir de 25/06/2026, pede que o sistema de recarga atenda à NBR IEC 61851; confirme com o Corpo de Bombeiros do seu estado.
  6. Certificado. Em 30/03/2026, o Inmetro informava não exigir certificação de sistemas de carregamento condutivo, e a IN 23 de SC pede certificado de conformidade das estações; peça por escrito o que o fornecedor tem (quadro completo).
  7. Modo de recarga. A IN 23 de SC não admite o modo 1 e só aceita o modo 2 em área externa; os modos 3 e 4 não têm restrição.
  8. Conserto. Prazo de atendimento, estoque de peças e quem paga o deslocamento do técnico.

Com o tipo e a potência escolhidos, veja onde o carregador entra no caminho da recarga até o dinheiro em como funciona um eletroposto.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre carregador AC e DC?

A diferença está na peça que converte a corrente alternada da rede em contínua para a bateria. Segundo a ABVE, no AC é o carregador de bordo do carro, e no DC é o próprio equipamento de recarga, que chega a 50, 120, 180 ou até 350 kW. Na nossa conta, o AC fica limitado ao que o carro aceita; segundo o Inmetro, o conector Tipo 2 vai até 22 kW em rede trifásica.

Carregador de 22 kW carrega em quanto tempo?

Depende do que o carro aceita em AC. Na nossa conta, o tempo é a energia a repor, em kWh, dividida pela menor potência entre a do carregador e a do carro. Em exemplo ilustrativo sem perdas, 40 kWh levam 1,8 hora se o carro aceitar 22 kW e 3,6 horas se aceitar 11 kW.

O que é carregador de bordo do carro elétrico?

O carregador de bordo, que a ABVE chama de carregador embarcado (OBC), recebe a energia AC pela porta de carga e a converte em DC para a bateria de tração, segundo o Departamento de Energia dos EUA. Na recarga em AC, a capacidade dele limita a velocidade; na recarga em DC, o equipamento de recarga faz a conversão.

Carregador de 22 kW entrega 22 kW em qualquer rede?

Não. Segundo o Inmetro, o conector Tipo 2 chega a 22 kW em rede trifásica de 400 V e 32 A, e em rede monofásica o carro carrega com menos potência. Antes de comprar, peça ao fabricante, por escrito, a potência que o modelo entrega na tensão e nas fases do seu ponto.

Qual a potência de um carregador rápido DC?

Segundo a ABVE, em julho de 2026, os carregadores DC operam com potências como 50, 120, 180 ou até 350 kW, conforme a infraestrutura e o carro. Na classificação internacional da IEA, rápido vai de mais de 22 kW até 150 kW, e ultrarrápido começa em 150 kW. Na nossa conta, a sessão anda na menor potência entre a do carregador e a que o carro aceita.

Fontes

Consultadas em 20/10/2026.

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