Software de gestão de eletroposto: o que exigir antes de contratar

Resposta curta

Um software de gestão de eletroposto serve quando mostra o lucro do mês com o custo real, quem é cada motorista, quanto tempo cada conector ficou no ar e o que fazer a seguir. Antes de contratar, confira sete pontos, do custo real à personalização.

Atualizado em 8 min de leituraEquipe Velquia

Você descobre se um software de gestão serve no mês em que a conta de luz sobe, um motorista frequente some ou um conector para de madrugada. Se o sistema só mostra faturamento, ele repete o extrato da plataforma de recarga, e você segue fechando o mês na planilha.

Para quem opera um ponto, ou vários, a gente separa o que faz a plataforma de recarga e o que faz a gestão, e lista sete exigências para levar ao fornecedor, cada uma com o jeito de conferir antes de assinar. Se a ideia é passar a operação inteira a uma empresa, o que ela faz e o que vai no contrato estão em gestão de eletropostos de terceiros.

Plataforma de recarga e plataforma de gestão: o que cada uma faz

Software para eletroposto pode querer dizer duas coisas. A plataforma de recarga conversa com o carregador, identifica o motorista e cobra a recarga; um protocolo aberto para a conversa com o carregador é o OCPP, explicado em o que é OCPP. A plataforma de gestão lê os dados dela, soma os custos do negócio e responde quanto sobrou e qual é o próximo passo.

Pergunta do dono Plataforma de recarga, em geral Plataforma de gestão
Quanto sobrou? Mostra o faturamento Abre a conta: faturamento menos cada custo, com lucro e margem
Quem é o motorista? Cadastro, total gasto e recorrência Quem carrega sempre, quem sumiu, quem voltou
O conector está no ar? Estado de cada conector agora e o percentual de um período Tempo no ar dia a dia, guardado em histórico próprio
O que fazer hoje? Aviso de falha do carregador Alertas de negócio e de equipamento, cada um com o próximo passo

A gestão pode funcionar ligada à plataforma de recarga, sem mexer no que o motorista usa: app, pagamento e carregador continuam os mesmos.

O que exigir de um software de gestão de eletroposto

O que exigir Por que importa Como conferir antes de assinar
Lucro com o custo real Faturamento sozinho não diz se o ponto se paga Um mês de conta aberta, com conta de luz, demanda, imposto, aluguel e manutenção
Quem é cada motorista Saber quem parou de carregar permite chamar a pessoa de volta A regra que o sistema usa para "sumido" e se você muda o prazo
Disponibilidade por conector, pelo histórico A média da estação pode esconder um conector parado De onde sai o percentual e o que fica fora da conta
Alertas com o próximo passo Aviso de "falha" sem ação deixa o diagnóstico com você Um alerta de exemplo e a ação que ele sugere
Dados exportáveis e seus Na troca de fornecedor, o histórico tem de ir junto A cláusula do contrato sobre os dados e o formato de saída
Conexão com a plataforma de recarga atual Em geral, trocar de plataforma mexe com o motorista A lista de dados que o sistema lê dela
Personalização Cada operação tem regras próprias Como um pedido novo entra na fila e quem decide a ordem

1. Lucro com o custo real

A conta do mês tem de aparecer aberta, com o faturamento em cima e cada custo embaixo. Num exemplo ilustrativo, o ponto fatura R$ 8.412, gasta R$ 5.782 e fica com R$ 2.630, margem de 31%.

Enquanto a fatura de energia não entra, o lucro sai de uma estimativa de tarifa vezes kWh. Um bom sistema marca esse mês como pendente, para ninguém mexer no preço com metade da conta na mão.

No grupo A, a demanda contratada pesa até em mês fraco, porque a REN 1.000/2021 da ANEEL manda faturar o maior valor entre a medida e a contratada (art. 294, II); a conta está em demanda contratada de eletroposto. O imposto tem post próprio, eletroposto paga ICMS ou ISS, e a conta inteira do mês está em eletroposto dá lucro.

2. Quem é cada motorista e quem sumiu

O sistema deve mostrar uma linha por motorista, com os dias em que ele carregou, e dizer quem sumiu e quem voltou. O prazo para contar alguém como sumido é regra do seu ponto: um operador conta sete dias inteiros sem carregar, outro conta quatorze (valores de exemplo), e o sistema tem de seguir o seu.

Vale conferir também se ele registra quem você já chamou, para o mesmo motorista não receber duas mensagens seguidas.

3. Disponibilidade de cada conector, medida pelo histórico

A gente não encontrou norma brasileira que fixe como calcular a disponibilidade de um carregador. Como modelo, serve a regra do programa NEVI dos EUA (23 CFR 680.116, de 2023), que vale só lá: ela pede disponibilidade média anual acima de 97% em cada porta de recarga. A porta conta como no ar quando hardware e software estão online e disponíveis, ou em uso, e ela entrega a potência mínima exigida.

O cálculo é (525.600 menos os minutos de falha) dividido por 525.600, vezes 100, sobre os 12 meses anteriores. Ficam de fora falha de energia da concessionária, culpa do veículo, manutenção programada, vandalismo, desastre natural e horas fora do funcionamento. Pela nossa conta, 97% ao ano deixam cerca de 263 horas de falha por porta (3% de 8.760 horas).

Com esse modelo na mão, três perguntas ficam concretas:

  • O software mede por ponto de recarga ou por conector? Pela definição da União Europeia (Regulamento 2023/1804, art. 2º), ponto de recarga é a interface que só recarrega um veículo por vez, e a estação reúne um ou mais pontos. A média da estação pode esconder um ponto parado.
  • Ele lê o histórico de status do conector ou deduz a queda pelos intervalos sem recarga? Pelo segundo jeito, uma madrugada sem motorista vira uma queda que não houve.
  • O que ele tira do cálculo, e você vê essa lista?

4. Alertas com o próximo passo

Alerta que só diz "falha" deixa o diagnóstico com você. Ajuda mais o alerta que traz a ação sugerida e cai numa fila onde você marca o que resolveu e o que descartou. Exemplos de regras úteis: sessão presa num carregador, motorista frequente que sumiu, conta de luz sem lançar, estreante sem segunda recarga. Confira quais regras o software roda todo dia e se você cria as suas.

5. Dados exportáveis e seus

O relatório do mês precisa sair num formato que você manda adiante, como um PDF para o sócio. Os dados também: se o contrato terminar, o histórico vai com você. O contrato deve dizer por escrito que os dados da operação são seus.

6. Conexão com a plataforma de recarga que você já usa

Em geral, trocar de plataforma de recarga mexe no app do motorista, na cobrança e no carregador. Por isso conta saber se o software de gestão se liga à plataforma atual ou exige a troca, e quais dados ele lê dela: as recargas com energia e valor, os motoristas e o status de cada conector, até onde ela deixa ler.

Conta de luz, aluguel e impostos não moram na plataforma de recarga, e você os lança no próprio software de gestão. Se o software também fala direto com o carregador, a versão do OCPP entra na conversa.

7. Quanto dá para personalizar

Cada operação tem a sua regra: prazo para sumido, faixas de desconto por consumo, indicação com percentual por ponto. Na proposta, procure como um pedido novo entra na fila, quem escolhe a ordem e como a mudança chega à sua plataforma.

A Velquia, por exemplo, monta a plataforma de gestão com as regras da operação de cada cliente, ligada à plataforma de recarga que ele já usa. As telas estão em plataforma.

Antes de pedir propostas, vale entender a conversa entre o carregador e o sistema, explicada em o que é OCPP.

Perguntas frequentes

Quanto custa um software de gestão de eletroposto?

O valor muda com o que entra no projeto: quantos pontos e conectores, quanta personalização, que relatórios e que suporte. Peça a proposta por escrito e compare também o que acontece com os dados no fim do contrato.

O software de gestão substitui a plataforma de recarga?

Não precisa. A plataforma de recarga segue com o app do motorista, a cobrança e o carregador. O software de gestão lê os dados dela e mostra o lucro do mês, quem são os motoristas e quanto tempo cada conector ficou no ar. A Velquia, por exemplo, conecta a gestão na plataforma de recarga que o cliente já usa.

O que é um backend ou servidor OCPP, e eu preciso de um?

Pela descrição da Open Charge Alliance, o OCPP é o protocolo de comunicação entre estações de recarga e sistemas de gestão. O backend ou servidor OCPP é esse sistema de gestão, na ponta oposta ao carregador. Se o seu carregador fala OCPP com a plataforma de recarga que você usa, ela ocupa esse lugar.

Como medir a disponibilidade de um carregador?

Pelo histórico de status de cada conector, somando o tempo no ar dia a dia. Como referência, a regra americana do programa NEVI calcula a disponibilidade anual sobre 525.600 minutos, desconta exclusões como falha de energia da concessionária e manutenção programada, e exige mais de 97% por porta. Essa regra vale só nos EUA.

Fontes

Consultadas em 19/10/2026.

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