Franquia de eletroposto ou montar sozinho: qual escolher?
Resposta curta
Dá para ter eletroposto sem franquia. Os caminhos são franquia, montar e operar sozinho, e montar e contratar a gestão. Eles diferem em quem decide o preço do kWh, quem fica com os dados, quanto trabalho sobra para você e como é sair. A tabela compara os seis critérios.
Atualizado em 7 min de leituraEquipe Velquia
A REN 1.000/2021, da ANEEL, no art. 554, deixa você cobrar pela recarga de carros de terceiros a preço livre e não põe marca nem franquia como condição (o que a norma permite). Sobram três caminhos, e a franquia é um deles: pagar por uma rede, montar e operar sozinho, ou montar e contratar alguém para operar.
A escolha mexe no bolso e na rotina, e seis critérios separam os três caminhos: investimento, controle do preço, dono dos dados, trabalho do dia a dia, risco de ponto parado e saída.
Quais são os três caminhos para abrir um eletroposto?
Franquia. Você paga para usar a marca e os métodos da rede, como define a Lei 13.966/2019, e em geral recebe um pacote com equipamento, plataforma de recarga e suporte. O que a franqueadora cobra e o que ela decide estão no contrato e na Circular de Oferta de Franquia. O post Franquia de eletroposto: como funciona e o que perguntar lista as dez perguntas para antes de assinar.
Montar e operar sozinho. Você escolhe o local, compra o carregador, contrata a plataforma de recarga e cuida do dia a dia: preço, motoristas, conta de luz, manutenção. Um software de gestão conectado à plataforma de recarga ajuda a ver o que sobra.
Montar e contratar a gestão. O ponto é seu: local, carregador e dados. Outra empresa opera a rotina e mostra os números para você decidir. É o que a Velquia faz na gestão de eletroposto: opera o ponto em cima da mesma plataforma de gestão que monta com as regras do seu negócio.
Franquia, sozinho ou gestão: a comparação em seis critérios
A tabela não traz valores. A gente não achou preço de carregador em fonte oficial brasileira, e o investimento de uma franquia vem na Circular de Oferta de cada rede (Lei 13.966/2019, art. 2º).
| Critério | Franquia | Montar e operar sozinho | Montar e contratar a gestão |
|---|---|---|---|
| Investimento | Taxa de franquia, equipamento e taxas periódicas; a Circular de Oferta tem de trazer o investimento inicial estimado | Equipamento, instalação e adequação da rede por sua conta, com fornecedores que você compara | O mesmo de montar sozinho, mais a gestão como custo à parte |
| Preço do kWh | Depende do contrato: pode haver preço fixado | Seu, porque a norma deixa o preço livre | Seu, combinado com quem opera |
| Dono dos dados | Depende do contrato: pergunte antes | Seus, se a plataforma de recarga exporta | Seus. Na gestão da Velquia, os dados ficam com o dono |
| Trabalho do dia a dia | Menor, com padrão e suporte da rede | Todo seu: conferir o ponto, atender o motorista, fechar a conta do mês | De quem opera. Você acompanha |
| Risco de ponto parado | O contrato diz quem conserta e em quanto tempo | Você aciona o fabricante e o instalador e acompanha a queda | Quem opera vê a queda no histórico, aciona a manutenção e acompanha até o conector voltar |
| Saída | Prazo, multa e o que fica com você: pergunte | Livre no que depende de você; com local alugado, vale o contrato do imóvel | Prazo e condições no acordo escrito. Os dados continuam seus |
Quem decide o preço do kWh em cada caminho?
Sozinho ou com gestão, quem decide é você. A REN 1.000/2021 (arts. 554 e 559) fala em preços livremente negociados e não fixa tarifa para a recarga cobrada de terceiros. Na franquia, a norma continua a mesma, e quem limita o preço é o contrato. Leia a cláusula de preço, desconto e promoção antes de assinar: é nela que está quanto da margem fica com você.
De quem são os dados dos motoristas?
Os dados dizem quem carrega sempre, quem sumiu e quem voltou, e é com eles que você chama de volta o motorista que parou de aparecer. Na franquia, o contrato diz se o cadastro de motoristas e o histórico de recargas pertencem a você, à rede ou aos dois, e se você leva uma cópia ao sair. Sozinho, os dados são seus, mas só aparecem se a plataforma de recarga os mostrar ou exportar. Com a gestão, o acordo precisa dizer, por escrito, que os dados são do dono do ponto.
O que acontece quando o ponto para?
Cada caminho resolve a queda de um jeito. Na franquia, vale o prazo de conserto do contrato. Sozinho, conta a sua agilidade com o fabricante e o instalador. Com a gestão, quem opera acompanha o histórico de cada conector, aciona a manutenção e avisa você.
Em qualquer caso, peça um número de disponibilidade e o jeito de medir. O post sobre software de gestão de eletroposto traz a régua de disponibilidade dos EUA, que serve de comparação e não vale aqui.
Como é sair de cada caminho?
Na franquia, a saída está no contrato: prazo, renovação, multa e o destino do equipamento, da marca e dos dados. Sozinho, a saída depende de você e, se o local é alugado, do contrato do imóvel. Com a gestão, vale o prazo do acordo escrito, e os dados continuam seus.
Nos três casos, pergunte ao fabricante, antes de comprar, qual protocolo aberto o carregador fala e em que versão. A norma da ANEEL pede protocolo aberto nos carregadores fora do uso privado (REN 1.000/2021, art. 552), e as versões 1.6 e 2.0.1 do OCPP não são compatíveis entre si, segundo a Open Charge Alliance (o que é OCPP).
Quando cada caminho faz sentido?
| Se você... | O caminho mais próximo |
|---|---|
| Quer começar rápido, com marca e regras prontas, e aceita pagar por isso | Franquia |
| Tem tempo, quer decidir preço e dados e gosta de acompanhar números | Montar e operar sozinho |
| Quer ter o ponto e o controle dos dados sem tocar a rotina | Montar e contratar a gestão |
Antes de escolher, faça a conta do lucro. Exemplo ilustrativo: o ponto fatura R$ 8.412 no mês e sobram R$ 2.630 depois de R$ 5.782 de custos, margem de 31%. A plataforma de recarga mostra o faturamento; conta de luz, impostos e os outros custos você precisa ver abertos para saber se o caminho escolhido fecha. Se for operar sozinho, o post software de gestão de eletroposto diz o que exigir de uma ferramenta que mostre isso.
Escolheu montar? O passo seguinte é a empresa, com CNPJ, CNAE e a pergunta do Simples: como abrir uma empresa de eletroposto.
Perguntas frequentes
Dá para montar um eletroposto sem franquia?
Dá. A REN 1.000/2021, da ANEEL, permite a recarga de veículos de terceiros com cobrança a preços livremente negociados (art. 554) e não menciona marca nem franquia. Você pode montar e operar sozinho ou montar e contratar uma gestão.
Qual é melhor: franquia ou montar sozinho?
Depende de quanto controle você quer e de quanto tempo tem. A franquia costuma trazer rapidez e suporte, e em troca o contrato limita preço, dados e saída. Sozinho, você decide preço e dados e assume a rotina. A gestão contratada deixa a rotina com outra empresa, e o ponto e os dados seguem seus.
Vale mais montar sozinho ou contratar uma gestão?
Sozinho serve a quem tem tempo para olhar o ponto todo dia. A gestão serve a quem quer o ponto e os dados sem tocar a rotina. Compare quanto sobra por mês nos dois casos, já com o custo da gestão dentro da conta.
Posso sair de uma franquia e continuar com o ponto?
Depende do contrato. Antes de assinar, confira prazo, renovação automática e multa, e veja se o carregador, os motoristas cadastrados e o histórico de recargas ficam com você. Se o equipamento só conversa com a plataforma da rede, a saída pode incluir trocar de sistema e de carregador.
Como funciona uma parceria para eletroposto?
Um arranjo possível junta o dono do local e quem opera, dividindo a receita; outro junta o dono do carregador e quem opera. Em qualquer um, o contrato precisa dizer quem paga a energia, quem define o preço do kWh, de quem são os dados e como cada lado sai.
Fontes
- ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021, arts. 552, 554 e 559, na redação consultada em outubro de 2026.
- Presidência da República, Lei 13.966/2019, arts. 1º e 2º.
- Open Charge Alliance, Open Charge Point Protocol.
Consultadas em 19/10/2026.